Ainda Estou Aqui - Marcelo Rubens Paiva
Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento obscuro da história recente brasileira para contar ― e tentar entender ― o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.
Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Márquez
Memória de minhas putas tristes é um romance nostálgico, cujo narrador, do qual não sabemos o nome, resolver dar-se de presente uma noite com uma virgem para comemorar seus 90 anos. Tudo que sabemos sobre ele é que trabalha para um jornal como crítico de música e que passou a vida em meio a prostitutas. Podemos dizer que é um homem culto e que nunca pensou em se casar. Ele inclusive abandonou a noiva no dia do casamento. Sabemos também que o apetite sexual desse nonagenário é impressionante e que ele faz sexo com frequência.
Para realizar o sonho sexual, o narrador recorre a uma velha conhecida, uma cafetina aposentada, que já havia intermediado negócios para ele (prostitutas), no passado, e pede a ela que organize esse encontro. As dificuldades de atender ao pedido ficam claras desde o início. Mas ele vai conseguir o que quer, não importa o quanto custe.
Essa senhora se vê então com uma difícil tarefa: como encontrar uma virgem? A cafetina então acha uma menina de 14 anos que trabalhava pregando botões e que cuidava dos irmãos mais novos. Ela estaria esperando o idoso num quartinho reservado para os clientes mais ilustres. O narrador coloca sua melhor roupa e vai até o bordel. Como a adolescente fica nervosa, a cafetina oferece a ela um chá com efeito calmante e a jovem adormece. A senhora então sugere ao narrador que realize seu sonho de tirar a virgindade da menina sem acordá-la, para protegê-la da dor da experiência. Ele se despe, mas fica com receio de tirar vantagem da menina. Então encontra uma solução: ele simplesmente dorme ao lado da menina, desfrutando da sensação de estar ao lado de uma mulher.
Só quando acorda ao lado da ainda pura ninfeta é que esse personagem vai ganhar a humanidade que lhe faltou enquanto fugia do amor.
Entrevista com Espíritos - Osmar Barbosa
A Primeira Luz das Janelas - André Warwar
Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach
Um dia, enquanto pensava sobre a vida, o ex-piloto da Força Aérea americana Richard Bach escutou uma voz misteriosa que começou a lhe contar a história de uma gaivota que queria voar mais alto e mais rápido. Impressionado com a inexplicável inspiração, Bach escreveu tudo o que ouviu. Ao final, tinha em mãos uma das obras mais populares e importantes das últimas décadas: Fernão Capelo Gaivota, uma aventura emocionante sobre liberdade, que influenciou, motivou e mudou para melhor a vida de milhões de pessoas no mundo todo.
Essa é uma história para pessoas que seguem seu coração e fazem suas próprias regras, pessoas que sentem um prazer especial em fazer algo bem, mesmo que apenas para si mesmas, pessoas que sabem que existe mais no mundo do que aquilo que se pode ver - elas estão lá, com Fernão, voando mais alto e mais rápido do que jamais sonharam.
Fernão Capelo Gaivota é uma obra-prima, capaz de agradar os leitores de Paulo Coelho e os admiradores de O pequeno príncipe , que a cada dia conquista mais admiradores, agora publicada com a inédita parte 4. Após sofrer um acidente de avião em 2012 e passar quatro meses no hospital, Richard Bach decidiu que era o momento de compartilhar o desfecho de seu trabalho e ensinar a seus leitores como fazer suas vidas valerem mais a pena.
Tudo é Rio - Carla Madeira
Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.
Na orelha do livro, Martha Medeiros escreve: “ Tudo é rio é uma obra-prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar de novo, no mesmo instante, desta vez para se demorar em cada linha, saborear cada frase, deixar-se abraçar pela poesia da prosa. Na primeira leitura, essa entrega mais lenta é quase impossível, pois a correnteza dos acontecimentos nos leva até a última página sem nos dar chance para respirar. É preciso manter-se à tona ou a gente se afoga.”
A metáfora do rio se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio do suor, da saliva, do sangue, das lágrimas, do sêmen, e Carla faz isso sem ser apelativa, sem sentimentalismo barato, com a habilidade que só os melhores escritores possuem.
O Segredo do Meu Turbante - Nadia Ghulam - Agnès Rotger
Aos oito anos de idade, Nadia Ghulam teve a casa onde vivia com sua família, no Afeganistão, destruída por uma bomba. Ela passou dois anos no hospital, teve o rosto deformado e perdeu todos os homens da sua família. Nadia, então, percebe que não tem quem traga o sustento para casa e sozinha decide fazer de tudo para salvá-los. Ela subverte as leis do talibã e do regime extremamente machista que proíbe as mulheres de trabalhar e estudar e assume a identidade do irmão morto para buscar o sustento da família.A história de coragem e sobrevivência de Nadia tem muito em comum com a da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que desafiou o mesmo talibã para ter acesso à educação. Nadia e Malala são hoje as vozes mais ativas na defesa dos direitos humanos e das mulheres em áreas tomadas por fundamentalistas islâmicos.
Aos 21 anos, Nadia conseguiu imigrar para a Espanha, onde vive há mais de uma década dando entrevistas e palestras sobre sua trajetória e as necessidades e percalços enfrentados pelas mulheres islâmicas sob o regime do talibã. O segredo do meu turbante é uma história emocionante e real que já conquistou milhões de leitores em mais de 25 países
O Avesso da Pele - Jeferson Tenório

Vencedor do Prêmio Jabuti na categoria "Romance Literário".
O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.
O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade. Com habilidade incomum para conceber e estruturar personagens e de lidar com as complexidades e pequenas tragédias das relações familiares, Jeferson Tenório se consolida como uma das vozes mais potentes e estilisticamente corajosas da literatura brasileira contemporânea.








